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Tu, cristal em chamas derretido

(…) Tu, que em um peito abrasas escondido, Tu, que em um rosto corres desatado, Quando fogo em cristais aprisionado, Quando cristal em chamas derretido, Se és fogo, como passas brandamente? Se és neve, como queimas com porfia? (…) Gregório de Matos, do soneto ”Ardor em firme coração nascido!”   Não, não havia fogo. Até […]

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Alma de sete cores

Tinha o céu da minha alma as sete cores, valia-me este mundo um paraíso, destilava-me a alma um doce riso, debaixo de meus pés brotavam flores! (João de Deus, “A Vida”) No dia 26 de fevereiro vou falar sobre João de Deus, a “alma de sete cores”, numa das salas do Museu Nacional Grão Vasco, […]

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Vita brevis

Glórias, que hão de ser de tão pouca dura, para que é possuí-las? Felicidades tão momentâneas, para que é estimá-las? Formosura, que tão depressa se afeia, para que é idolatrá-la? Vida, que tão brevemente se acaba, porque que é prezá-la? Nuno Marques Pereira Compêndio Narrativo do Peregrino da América (1939, I: 284-285) Nos dias 26 e […]

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Sobre o desengano barroco

*** La perspectiva de desengaño se fundamenta en el tiempo y la muerte. Se siente la angustia del existir como camino hacia la muerte: «sepultura portátil» llamará Quevedo al cuerpo. La vida es un sueño; la apariencia de riqueza y poder, una vanidad. Ignacio Arellano, «Introducción» a Poesía del Siglo de Oro (Antología), Madrid, Editex, 2009, 11. […]

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Figuras da ficção

*** Sara Augusto. As figuras da ficção romanesca do maneirismo e do barroco: problemas e exemplos. Limite.  nº 7, 2013, pp. 83-98 [ISSN: 1888-4067]. Resumo As considerações tecidas neste trabalho pretendem mostrar como entre diferentes períodos literários a figuração das personagens apresenta idiossincrasias que devem ser consideradas. Mostra-se como fatores contextuais determinaram a dimensão das personagens […]

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Precious

*** Olhou-me e vi a pergunta surgir-lhe nos olhos. Mas não disse nada. Com o tempo aprendeu que esperar pacientemente traz mais verdade nas respostas. Ana de Santa Cruz Demorei, demasiado, mas escolhi a minha melhor fotografia do slideshow. Não é surpresa. Já a tinha publicado no Facebook exactamente com essa indicação. Depois comecei a […]

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El Salvador

A esta fusão do sublime com os sentidos confusos e ofuscados, da exuberância com as linhas mais puras e límpidas, da beleza mais cristalina com a expressão do sofrimento humano, costumo eu chamar barroco. Como uma aranha enredada na própria teia, uma das teias mais perfeitas da história da arte e da literatura. Ana de […]

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Move-se brandamente o arvoredo

Tudo passei; mas tenho tão presente a grande dor das cousas que passaram, que as magoadas iras me ensinaram a não querer já nunca ser contente. Camões, Soneto “Erros meus, má fortuna, amor ardente”. Há em alguns sonetos de Camões um sentimento de funda desesperação que me deixa profundamente inquieta. Muito mais do que a […]

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As figuras de roca de S. Roque

Hoje sei que o sentido dramático é o que me prende a atenção no barroco. Essa constante representação, que atinge toda a arte e a literatura, é capaz de dar a ver um perpétuo movimento numa veste ondulante, numa metáfora, num verso, numa voluta desenhada na pedra. Da mesma forma, essa figuração de lampejos de […]

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Teografias I: guerra interior, conversão e alegoria

Está disponível online o primeiro volume do projeto Revista Teografias, impresso em 2011. Naquela altura falei da Guerra Interior, de Matias de Andrade, ainda em preparação artigo com o título Guerra Interior: conversão e alegoria. Os objetivos foram cumpridos: Com o estudo desta narrativa alegórica, de edificação, reflexão e didática religiosa, a Guerra Interior (1743), de […]

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