Etiqueta: Ana de Santa Cruz
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A Oriente

Vai, mas não deixes de me escrever. Não deixes de escrever. Não deixes de fotografar. Sente tudo. Ana de Santa Cruz In mood for love Dia 15 de outubro. Entrei no barco em Hong Kong. Apenas mais uma hora para chegar a Macau. Chovia miudinho e por entre as nuvens rompia uma luz difusa e…
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Chamo-me ovelha

Fiquei quieta a olhar. Decorei-lhe o gesto e vi como a paixão florescia entre as mãos e os olhos. Recolhi a luz dentro de mim. Ana de Santa Cruz Eu olhei primeiro e voltei para trás. Pedi-lhes que esperassem e apressei-me a mudar de objectiva. Aproximei-me do muro, sorrindo e fotografando ao mesmo tempo. Elas…
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Into the light

Luz opaca onde as asas se ferem e o voo fica suspenso. Ana de Santa Cruz, Fábulas Octávio Paz, em 1973, no texto La mirada anterior, Prólogo a Las enseñanzas de Don Juan, de Carlos Castaneda, a propósito de uma curiosa citação de Michaux sobre o receio da “demasiada” publicação das suas obras, afirma: “Es…
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A delícia da vida

(…) E eu morrendo! E eu morrendo, Vendo-te, e vendo o sol, e vendo o céu, e vendo Tão bela palpitar nos teus olhos, querida, A delícia da vida! A delícia da vida! Olavo Bilac, In extremis (…) O que adoro em ti lastima-me e consola-me: O que eu adoro em ti é a vida!…
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Deve ser isto a que chamam tristeza

*** Como, quando a flor purpúrea, cortada pelo arado, desfalece moribunda, ou as papoilas, de caule cansado, deixam pender a fronte, se acaso a chuva sobre elas carrega. Eneida, IX, vv. 427-429. Deve ser isto a que chamam tristeza Já não me lembro da diferença entre a luz e a sombra. Agora só conheço a…
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A sombra das palavras

*** (…) Secretas vêm, cheias de memória. Inseguras navegam: barcos ou beijos, as águas estremecem. (…) Eugénio de Andrade, As palavras. A sombra das palavras Devo ter perdido palavras ao longo da vida E é possível que haja outras que não aprendi. Já experimentei formas rebuscadas, metáforas escondidas. Já escolhi o verbo mais simples, o…
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Septem soles
*** Se às vezes digo que as flores sorriem… Alberto Caeiro. Divido o tempo e vou somando. Um ano, doze meses, um mês, trinta dias, uma semana. E somando retomo um ano, e neste exercício me demoro, prolongando o tempo, como se a espera e a passagem dos dias fossem alguma firmeza na penumbra. E…
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My way
*** Naqueles dias não houve uma hora que não fosse sofrida. Encolheu os ombros e pensou que certamente não poderia ter sido de outra forma. Tenho de viver mais devagar, concluiu depois, e sorriu com a ironia . Ana de Santa Cruz, De vita floris. Demorou algum tempo, é verdade. E foram tantas as fotografias…
