A noção de ser

*** Há um sussuro morno sobre a terra; degladiam-se luz e trevas pela posse do Universo; sente-se a existência a penetrar-nos nas veias vinda lá de fora através da janela; cresce a alegria na alma a Vida murmura-nos doces fantasias. Tangem sinos na madrugada vai nascer o sol. A. Agostinho Neto, Amanhecer. Relembro as aulas […]

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Uykusuz Venüs

*** Dos confins da vigília. Como gostarias de te lembrar de mim? Dizes-me que voltaste Dizes-me que não me esperavas Digo-te Apenas Que permaneço intocável Ao sabor da leitura que foi nossa Descoso-me com os cuidados de uma      [costureira minuciosa Mesmo sabendo que não me esperaste Atravessei-te Sem sair de cá Atravessei-te Como […]

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Atlas do Corpo e da Imaginação

*** A “fonte do pensamento genuíno é o espanto, espanto por, e perante o ser. O seu desenvolvimento é essa cuidada tradução do espanto em acção que é o questionar…” G. Steiner, Heidegger, Dom Quixote, 1990, p. 53   Terceira crónica publicada no Correio Beirão, 14 de março. Atlas do Corpo e da Imaginação  Que […]

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Metamorfoses da santidade

*** Casos, opiniões, natura e uso Fazem que nos pareça desta vida Que não há nela mais que o que parece. Camões, Soneto “Correm turvas as águas deste rio” A releitura de Orbe Celeste, de Soror Madalena da Glória, publicado em 1742, foi o motivo para o terceiro artigo na série Teografias. Começou assim: “A conferência […]

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Atlas do corpo e da imaginação

“O que as leis acalmam é esse instinto violento que domina as relações entre indivíduos e corpos. Acalmar, porém, não é eliminar, mas adiar.” Atlas do corpo e da imaginação. Teoria, fragmentos e imagens, 2013: 73   É possível que vá ler o Atlas do corpo e da imaginação todinho de seguida, mas por agora contento-me […]

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Corte de Roma

*** Ponho aos reaes pés de Vossa Magestade as observaçoens que foi em onze mezes de tempo assim sobre a cidade e corte de Roma, como sobre os mais dominios do Papa. Dedicatória a D. João V, por D. Luís Caetano de Lima, 1722 No capítulo XVIII da sua Relaçam da Corte de Roma, escrita […]

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Chave de casa: nosce te ipsum

Chave de casa: nosce te ipsum ou por que razão escolher a alegoria. *** Sem me levantar, pego a caixinha na mesa-de-cabeceira. Dentro dela, em meio a pó, bilhetes velhos, moedas e brincos, descansa a chave que ganhei do meu avô. Tome, ele disse, essa é a chave da casa onde morei na Turquia. Olhei-o […]

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