Categoria: sara augusto
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Deve ser isto a que chamam tristeza

*** Como, quando a flor purpúrea, cortada pelo arado, desfalece moribunda, ou as papoilas, de caule cansado, deixam pender a fronte, se acaso a chuva sobre elas carrega. Eneida, IX, vv. 427-429. Deve ser isto a que chamam tristeza Já não me lembro da diferença entre a luz e a sombra. Agora só conheço a…
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A sombra das palavras

*** (…) Secretas vêm, cheias de memória. Inseguras navegam: barcos ou beijos, as águas estremecem. (…) Eugénio de Andrade, As palavras. A sombra das palavras Devo ter perdido palavras ao longo da vida E é possível que haja outras que não aprendi. Já experimentei formas rebuscadas, metáforas escondidas. Já escolhi o verbo mais simples, o…
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The lady of the lake

*** Foi a quinta crónica no portal Rua Direita. Passem por lá. Like the dew on the mountain, Like the foam on the river, Like the bubble on the fountain, Thou art gone, and for ever! (W. Scott, The Lady of the Lake) A dama do lago Já tenho esta fotografia guardada há uns meses.…
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Histórias de imigração
*** A acreditar-se nos historiadores ibéricos, sejam espanhóis, sejam portugueses, a descoberta das Américas pelos Turcos, que não são turcos coisíssima nenhuma, são árabes de boa cepa, deu-se com grande atraso, em época relativamente recente, no século passado, não antes. (…) Os primeiros a chegar do Oriente Médio traziam papéis do Império Otomano, motivo por que…
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Say my name
*** Florence and the Machine, Spectrum. When we first came here we were cold and we were clear, with no colours on our skin, we were light and paper-thin. And when we first came here, we were cold and we were clear, with no colours on our skin, ‘till you let the spectrum in. Say…
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May I cry?

*** Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Estavas dentro e eu fora te procurava. Precipitava-me eu disforme, sobre as coisas formosas que fizeste. Estavas comigo, contigo eu não estava. As criaturas retinham-me longe de ti, aquelas que não existiriam se não estivessem em ti. Chamaste e gritaste e rompeste…
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E as cidades contam histórias…

*** You can’t hide in Suburbia. Terceira crónica no Rua Direita. Outro texto difícil de escrever. Lembro-me bem como estava sentada na Buchanan Bus Station e dizia comigo mesma: eu vou escrever sobre isto. Levei tempo, mas decorei pormenores que ganharam mais força e se destacaram. Será que as coisas felizes têm história? E a…
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Septem soles
*** Se às vezes digo que as flores sorriem… Alberto Caeiro. Divido o tempo e vou somando. Um ano, doze meses, um mês, trinta dias, uma semana. E somando retomo um ano, e neste exercício me demoro, prolongando o tempo, como se a espera e a passagem dos dias fossem alguma firmeza na penumbra. E…
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Cidades estranhas
*** A cidade se embebe como uma esponja dessa onda que reflui das recordações e se dilata. Italo Calvino, As cidades invisíveis. Continuo a escrita de viagens. A memória torna-se mais forte mas também mais apurada. Foi a segunda crónica publicada no Rua Direita. As cidades são estranhas. As cidades são estranhas. Nunca são iguais.…