Light water

*** Da terceira vez não vi mais nada Os céus se misturaram com a terra E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas. Manuel Bandeira, “Teresa”. Lugar: Loch Venachar, Loch Lomond and Trossachs National Park, Scotland. Foi só o início. Mas o início é sempre deslumbrante. Havia uma luz … More Light water

Inania verba

*** Quem o molde achará para a expressão de tudo? Ai! Quem há de dizer ânsias infinitas Do sonho? E o céu que foge à mão que se levanta? E a ira muda? E o asco mudo? E o desespero mudo? E as palavras de fé que nunca foram ditas? E as confissões de amor … More Inania verba

Ut pictura fictio

*** [A Riqueza] Era uma mulher de luzidos olhos, prateada tez, dourados cabelos, vestia de tela de prata, e assim manto como roupa bordava de botões de ouro, gala que estudar-se-lhe o ser, fora injuria, a cabeça era um tesouro de joias, e quanto mais leve na consideração, mais capaz de fazia para o peso. … More Ut pictura fictio

Emblematica and fiction

*** (…) era em campo de ouro um Pelicano ferindo o peito sobre os tenros filhos, e ao pé dizia esta letra: ‘à custa de minha vida / sustento a de meus cuidados’. Francisco Rodrigues Lobo, Primavera (Floresta Nona) *** Num contexto cultural e artístico dominado pelo investimento em estruturas visuais de grande impacto, que … More Emblematica and fiction

Still

*** Há nestes dias, quando o frio faz teias entre o quarto e a sala e o cheiro das lareiras se estende pelas ruas, uma memória pungente da felicidade. Hesitei em escrever isto. Talvez devesse ter escrito “memória pungente dos momentos felizes”, mas isso é pouco. Talvez não nos sejam dados a viver muito e … More Still

Que feliz fora o mundo se perdida do amor a memória

*** Hoje li a maior parte do pequeno jornal da paróquia enquanto decidia sair ou não do carro e carregar com a mochila para o sétimo andar da faculdade. Chamou-me a atenção um pequeno artigo que falava da memória como suporte essencial para a alegria e para a tristeza. Mas surpreendeu-me uma ideia que não … More Que feliz fora o mundo se perdida do amor a memória

Shall I die?

*** Matei-me ao fim da tarde. Hoje, quando acordei da morte, a madrugada fria e húmida, senti uma leveza e uma falta de chão que me fez arrepender um tantinho daquele desespero suicida. Estou em crer, contudo, que não foi um ímpeto, que pensava no assunto há já algum tempo. A concretização foi impetuosa, isso … More Shall I die?

Dias de sombra

*** Um fim de semana de outono de sol intenso e calor. E com a pior dor de cabeça dos últimos meses. Passei o tempo na sombra do quarto, a fugir do barulho e da luz. Fui tomada por um sono intermitente que me embrulhou em sonhos labirínticos e suores frios. Acordava com a pulsação … More Dias de sombra