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Hoje li a maior parte do pequeno jornal da paróquia enquanto decidia sair ou não do carro e carregar com a mochila para o sétimo andar da faculdade. Chamou-me a atenção um pequeno artigo que falava da memória como suporte essencial para a alegria e para a tristeza. Mas surpreendeu-me uma ideia que não me tinha ocorrido: que é a memória da dor que nos faz senti-la com mais intensidade.
Agora, quando revia as fotografias dos dias de verão, e arrumava os apontamentos sobre Cláudio Manuel da Costa, passando pelo soneto XXXIV que li na aula, pensei que nos lembramos sempre mais do que nos fez feliz:
Que feliz fora o mundo, se perdida
A lembrança do Amor, de Amor a glória,
Igualmente dos gostos a memória
Ficasse para sempre consumida!
Mas a pena mais triste e mais crescida
É ver que em nenhum é transitória
Esta de Amor fantástica vitória,
Que sempre na lembrança é repetida.
Amantes, os que ardeis nesse cuidado,
Fugi de Amor ao venenoso intento
Que lá para o depois vos tem guardado.
Não vos engane o infiel contentamento:
Que esse presente bem, quando passado,
Sobrará para ideia do tormento.
Em Vejer de la Frontera havia sol e calor. E é essa memória que me vem e que fica, de alguma coisa imutável, à minha espera, sem “tormentos” ou “infiéis contentamentos”.

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