Da sátira ao moralismo

Poco es conquistar el entendimiento si no se gana la voluntad. B. Gracián, El Heróe: Discurso XII. Acabei de reler a citação do jesuíta espanhol em A sátira e o engenho (1989), de João Adolfo Hansen, obra fundamental para o estudo da sátira no período barroco, sobretudo no que diz respeito à poesia satírica de…

O voo das andorinhas

A minha vida é tudo menos rotineira. Já me queixei quando o era, mas na verdade nunca o foi verdadeiramente. Pois é disso que hoje me queixo, de não ter rotina que me permita fazer render mais o meu tempo. Mas também é com isso que me alegro, com a possibilidade de viver sempre novas…

Cartografia do barroco e do neobarroco

Foi hoje, pelas 16 horas, no Centro de Literatura Portuguesa, a conferência de Vincenzo Russo, professor da Universidade de Milão. O título era mais do que sugestivo e suficientemente provocador: Cartografia conceptual do Barroco e do Neobarroco na literatura portuguesa do século XX. De uma forma concisa e didáctica, Vincenzo Russo cobriu 5o anos que…

Emergir

Não fui eu quem escreveu tristinfinitamente. Luís Belo, emergir, medíocre, 2013, p. 12. Percorro lentamente as páginas a sépia e a preto e branco de emergir. Lembro-me muito bem da primeira vez que vi o Luís Belo e as suas fotografias de Viseu. Foi na Fnac, como resultado de sucesso num concurso fotográfico. Fui sabendo…

Mui comprida de soberba

Confesso. É só uma pontinha, assim miudinha, quase imperceptível… mas tem nome e chama-se vaidade. E lá estão pelo menos cinco volumes, alinhadinhos, entre o meu casal de Sargadelos, todos iguaizinhos, a dizerem que já cá estão e com muito gosto! Matias de Andrade não fala de «vaidade» mas fala abundantemente da «soberba», quase sinónimo….

Qual outro cume do monte Olimpo (1740-1765)

«Em 1740, a Congregação do Oratório conhecia um novo impulso em Viseu, com a eleição de D. Júlio Francisco de Oliveira, o primeiro bispo oratoriano português, a quem Matias de Andrade dedica a Guerra Interior. Conhecedor da vivência urbana e de uma corte marcada pela ostentação, com fortes ligações ao poder real e aos círculos…

Onésimo, ele próprio

O artigo de Luís Ricardo Duarte, publicado no Jornal de Letras em janeiro deste ano, com o título «Onésimo. A vida americana do prof. Almeida», deixou-me com um sorriso nos lábios. «Às vezes, dá a impressão que Onésimo Teotónio Almeida vive em Portugal, tão frequente é a sua presença em colóquios, congressos, encontros, arguições de…