Lux mundi

Vivemos com receios que não sabemos quem plantou dentro de nós ou que circunstâncias os condicionaram. Conseguimos estender tanto a rotina das nossas ações e pensamentos que ela chega a atingir a imagem que temos de nós. Não conseguimos mudar um passo que seja dos nossos dias, um ponteiro que seja das nossas horas. Até […]

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O meu lugar

To me, photography is an art of observation. It’s about finding something interesting in an ordinary place… I’ve found it has little to do with the things you see and everything to do with the way you see them. Elliott Erwitt Há lugares que me pertencem. Que estão dentro de mim. Nasci e cresci à medida […]

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Into the light

Luz opaca onde as asas se ferem e o voo fica suspenso. Ana de Santa Cruz, Fábulas Octávio Paz, em 1973, no texto La mirada anterior, Prólogo a Las enseñanzas de Don Juan, de Carlos Castaneda, a propósito de uma curiosa citação de Michaux sobre o receio da “demasiada” publicação das suas obras, afirma: “Es […]

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Nunca viste o mesmo céu

Nunca houve esta hora, nem esta luz, nem este meu ser. Amanhã o que for será outra coisa, e o que eu vir será visto por olhos recompostos, cheios de uma nova visão. Livro do Desassossego (fragmento 94). Sabes quantas vezes mais verás a primavera? Quantas vezes mais verás as rosas florir às dezenas no […]

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Francesco

  Tenho pensamentos que, se conseguisse realizá-los e torná-los vivos, acrescentariam uma nova luz às estrelas, uma nova beleza ao mundo e um maior amor ao coração dos homens. Livro do Desassossego. Parei ao lado e estendi a mão… e toda aquela luz e cor, como vidro soprado no forno, caiu no chão, multiplicada em bolas […]

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Dois anos

Ouve o que diz a mulher vestida de sol quando caminha no cimo das árvores «a que distância deixaste o coração?» José Tolentino Mendonça, A que distância deixaste o coração Passaram dois anos. Tenho andado mais por veredas e caminhos sombrios que por largas avenidas luminosas, mas da sombra vem a luz e a criação, mesmo […]

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Mirror, my mirror

*** Soprou e rompeu-se o fio. A partir de agora vou ser o caos, disse a aranha, castanha, quase ruiva, do tamanho de um botão. E o mundo dela mudou. Passei e vi como mudava. Acabou enrolada no caos, exausta, depois de horas exultantes de fios soltos ao vento. Fotografei o caos da aranha. Mirror, my mirror.

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Little sun

*** Às vezes dura menos de um segundo aquele olhar sobre as coisas. O segundo olhar é mais demorado… calcula, avalia, ensaia e deleita-se. Sei que vou conseguir uma fotografia que me agrada quando sinto esse deleite dentro de mim. É assim como um contentamento antecipado de uma coisa boa, de um acontecimento esperado, uma […]

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Coimbra

*** (…) Viajei por mais terras do que aquelas em que toquei… Vi mais paisagens do que aquelas em que pus os olhos… Experimentei mais sensações do que todas as sensações que senti, Porque, por mais que sentisse, sempre me faltou que sentir E a vida sempre me doeu, sempre foi pouco, e eu infeliz. […]

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O quadro perdido de Liotard

*** Esta foi a nona crónica publicada no Rua Direita. Deu-me particular satisfação escrever este texto porque me fez percorrer muitas ruas de Roma por onde andarilhei horas e horas sozinha, quando as bibliotecas fechavam à tarde e os dias eram enormes. Depois recorri a uma das partes mais interessantes do Diário de João Baptista […]

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