O conto da aranha

 Parou por breves segundos e teve uma iluminação, se é que uma aranha tem destas coisas que se abrem no espírito. Não quero mais uma ordem na vida e não posso viver no caos. Parei e olhei-a com mais atenção. Que raio, aranha, cala-te, cala-te, e enteia-te. Pareceu-me que sorria. Não sei bem como é que ela…

Mirror, my mirror

*** Soprou e rompeu-se o fio. A partir de agora vou ser o caos, disse a aranha, castanha, quase ruiva, do tamanho de um botão. E o mundo dela mudou. Passei e vi como mudava. Acabou enrolada no caos, exausta, depois de horas exultantes de fios soltos ao vento. Fotografei o caos da aranha. Mirror, my mirror.

Inania verba

*** Quem o molde achará para a expressão de tudo? Ai! Quem há de dizer ânsias infinitas Do sonho? E o céu que foge à mão que se levanta? E a ira muda? E o asco mudo? E o desespero mudo? E as palavras de fé que nunca foram ditas? E as confissões de amor…