Dias de sombra

*** Um fim de semana de outono de sol intenso e calor. E com a pior dor de cabeça dos últimos meses. Passei o tempo na sombra do quarto, a fugir do barulho e da luz. Fui tomada por um sono intermitente que me embrulhou em sonhos labirínticos e suores frios. Acordava com a pulsação … More Dias de sombra

Impérios do tempo

*** Nunca mais a tua face será pura limpa e viva nem teu andar como onda fugitiva se poderá nos passos do tempo tecer. E nunca mais darei ao tempo a minha vida. A história de Carlos V é magnífica. Filho de Joana, a Louca, terceira filha dos Reis Católicos, e de Filipe, o Belo, o imperador … More Impérios do tempo

Depois do fado

*** Quando fotografei a Cristiana não esperava muito das fotografias: a luz era má e eu sabia que o ruído seria muito. Não falei com ela antes, mas pareceu-me tão menina. As fotografias mostraram-me muito mais: há qualquer coisa nela de blues, jazz and soul, que me deixa à espera do futuro. Por agora a … More Depois do fado

Íntimo do mundo

As palavras soçobram rente ao muro A terra sopra outros vocábulos nus Entre os ossos e as ervas, uma outra mão ténue refaz o rosto escuro doutro poema António Ramos Rosa, in A Nuvem Sobre a Página *** Era assim que eu queria escrever, num instante de luz e sombra, mas não sei fazê-lo. Como … More Íntimo do mundo

Via aurea

Como tirar estas fotografias em vinte e oito passos. Ir à Casa da Escrita para a inauguração da exposição escreler, do Manuel Portela (depois falo sobre isso). Levar a máquina fotográfica. Assistir a uma espantosa performance do Manuel. Tirar bastantes fotografias. Sair mais cedo por causa da viagem. Dar de caras com um sol poente indeciso … More Via aurea

Encomenda prodigiosa

Em 1722, D. Luís Caetano de Lima, dedicava o seu manuscrito da Relação da Corte de Roma, a D. João V. Escreveu o seguinte: Senhor, ponho aos reaes pés de Vossa Magestade as observaçoens que fiz em onze mezes de tempo assim sobre a cidade e corte de Roma, como sobre os mais dominios do Papa. A … More Encomenda prodigiosa

A condição humana e a alegoria

Il est très rare qu’un homme puisse, comment dire? Accepter sa condition d’homme.  André Malraux, La condition humaine (1933) Falar da condição humana, falar do desconhecido e do que está para lá do entendimento, sempre foram condições favoráveis à utilização da alegoria, entendendo esta como um procedimento que permite ou exige que um enunciado tenha … More A condição humana e a alegoria