Inania verba

*** Quem o molde achará para a expressão de tudo? Ai! Quem há de dizer ânsias infinitas Do sonho? E o céu que foge à mão que se levanta? E a ira muda? E o asco mudo? E o desespero mudo? E as palavras de fé que nunca foram ditas? E as confissões de amor … More Inania verba

Que feliz fora o mundo se perdida do amor a memória

*** Hoje li a maior parte do pequeno jornal da paróquia enquanto decidia sair ou não do carro e carregar com a mochila para o sétimo andar da faculdade. Chamou-me a atenção um pequeno artigo que falava da memória como suporte essencial para a alegria e para a tristeza. Mas surpreendeu-me uma ideia que não … More Que feliz fora o mundo se perdida do amor a memória

Impérios do tempo

*** Nunca mais a tua face será pura limpa e viva nem teu andar como onda fugitiva se poderá nos passos do tempo tecer. E nunca mais darei ao tempo a minha vida. A história de Carlos V é magnífica. Filho de Joana, a Louca, terceira filha dos Reis Católicos, e de Filipe, o Belo, o imperador … More Impérios do tempo

Íntimo do mundo

As palavras soçobram rente ao muro A terra sopra outros vocábulos nus Entre os ossos e as ervas, uma outra mão ténue refaz o rosto escuro doutro poema António Ramos Rosa, in A Nuvem Sobre a Página *** Era assim que eu queria escrever, num instante de luz e sombra, mas não sei fazê-lo. Como … More Íntimo do mundo

Escreler

*** Existem as palavras. Existem as palavras ditas, as palavras pensadas, as palavras escritas, as palavras supostas. E existe um tempo. E assim existe um espaço. Espaços. E existe a escrita. Que dá corpo. Que dá matéria. Que alonga as pontes entre o escrever e o ler. Escreler, de Manuel Portela. Na Casa da Escrita, … More Escreler

Via aurea

Como tirar estas fotografias em vinte e oito passos. Ir à Casa da Escrita para a inauguração da exposição escreler, do Manuel Portela (depois falo sobre isso). Levar a máquina fotográfica. Assistir a uma espantosa performance do Manuel. Tirar bastantes fotografias. Sair mais cedo por causa da viagem. Dar de caras com um sol poente indeciso … More Via aurea

João Gostoso

Falar durante oito horas sobre a poesia de Manuel Bandeira é sempre bom, muito bom. Daqui a pouco dou o primeiro seminário e, sobre a presença dos factos e do quotidiano em Libertinagem, obra de 1930, releio o “Poema tirado de uma notícia do jornal”. Quase sempre os alunos ficam perplexos. Eu só respondo: e por … More João Gostoso

Adágio em dor maior

This is how an angel dies. Awolnation, Sail Gustav Mahler, Symphony No. 5, Adagietto Be there, city of angels. Podia morrer hoje e tu não saberias. Não se abriria o céu, nem murchariam flores não soprariam ventos gelados nem nenhum pressentimento te assustaria. E eu podia morrer hoje, sabias? É assim que os anjos morrem. Quando … More Adágio em dor maior

Emergir

Não fui eu quem escreveu tristinfinitamente. Luís Belo, emergir, medíocre, 2013, p. 12. Percorro lentamente as páginas a sépia e a preto e branco de emergir. Lembro-me muito bem da primeira vez que vi o Luís Belo e as suas fotografias de Viseu. Foi na Fnac, como resultado de sucesso num concurso fotográfico. Fui sabendo … More Emergir