Miragem: Córdova.

*** Cheguei ontem a casa, já era noite, e deitei-me cedo. Quando me levantei e abri a portada, um manto pesado de geada sobre o quintal gelou-me da cabeça aos pés. Consegui aquecer depois. Entretanto, quando procurava uma fotografia que devo ter arrumado na pasta errada, encontrei as fotografias que tirei em Córdova e que … More Miragem: Córdova.

Still

*** Há nestes dias, quando o frio faz teias entre o quarto e a sala e o cheiro das lareiras se estende pelas ruas, uma memória pungente da felicidade. Hesitei em escrever isto. Talvez devesse ter escrito “memória pungente dos momentos felizes”, mas isso é pouco. Talvez não nos sejam dados a viver muito e … More Still

Precious

*** Olhou-me e vi a pergunta surgir-lhe nos olhos. Mas não disse nada. Com o tempo aprendeu que esperar pacientemente traz mais verdade nas respostas. Ana de Santa Cruz Demorei, demasiado, mas escolhi a minha melhor fotografia do slideshow. Não é surpresa. Já a tinha publicado no Facebook exactamente com essa indicação. Depois comecei a … More Precious

My way

*** Naqueles dias não houve uma hora que não fosse sofrida. Encolheu os ombros e pensou que certamente não poderia ter sido de outra forma. Tenho de viver mais devagar, concluiu depois, e sorriu com a ironia . Ana de Santa Cruz, De vita floris. Demorou algum tempo, é verdade. E foram tantas as fotografias … More My way

Estrada de ouro

*** Passou um ano. Passou depressa e cheio. Nunca tive um ano que passasse devagar e tenho sempre a impressão que gasto a vida num instante. Muitas vezes pareceu-me estar tão gasta que já não queria publicar mais. Elaborar conteúdos, no campo da fotografia, do ensaio, da crónica e da poesia, com alguma regularidade, não … More Estrada de ouro

Shall I die?

*** Matei-me ao fim da tarde. Hoje, quando acordei da morte, a madrugada fria e húmida, senti uma leveza e uma falta de chão que me fez arrepender um tantinho daquele desespero suicida. Estou em crer, contudo, que não foi um ímpeto, que pensava no assunto há já algum tempo. A concretização foi impetuosa, isso … More Shall I die?

Dias de sombra

*** Um fim de semana de outono de sol intenso e calor. E com a pior dor de cabeça dos últimos meses. Passei o tempo na sombra do quarto, a fugir do barulho e da luz. Fui tomada por um sono intermitente que me embrulhou em sonhos labirínticos e suores frios. Acordava com a pulsação … More Dias de sombra

Depois do fado

*** Quando fotografei a Cristiana não esperava muito das fotografias: a luz era má e eu sabia que o ruído seria muito. Não falei com ela antes, mas pareceu-me tão menina. As fotografias mostraram-me muito mais: há qualquer coisa nela de blues, jazz and soul, que me deixa à espera do futuro. Por agora a … More Depois do fado

Ruínas do Carmo

… quia pulvis es… Ruinas, Rodrigo Leão Gosto de ruínas. Sinto-me em casa junto de qualquer ruína, de qualquer muro derrubado, de qualquer monte de pedras com algum sentido, ou sem sentido algum. Mas há pedras, mais ou menos arruinadas, que me comovem. Já andava para visitar o Convento do Carmo há muito tempo. Acho que guardei … More Ruínas do Carmo