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Cheguei ontem a casa, já era noite, e deitei-me cedo. Quando me levantei e abri a portada, um manto pesado de geada sobre o quintal gelou-me da cabeça aos pés. Consegui aquecer depois. Entretanto, quando procurava uma fotografia que devo ter arrumado na pasta errada, encontrei as fotografias que tirei em Córdova e que já editei há bastante tempo. Vinha delas o mesmo calor dos 45 graus de agosto e a mesma cor intensa. Vi-as novamente, uma a uma, lembrando cada gesto. Talvez por entre a geada, derretida pelo sol frio de dezembro, esta memória não faça sentido. Ou, sim, fará mais sentido ainda, avisando-me que o verão não é eterno, e que o seu número se esgota inexoravelmente em cada ano que passa.
Parei de escrever. Neste momento tudo me parece distante, irrecuperável, e impossível aquele calor de Córdova num improvável mês de agosto.
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