Vanitas

  Esta citação do Peregrino da América é uma entre muitas na multiplicidade da ficção alegórica e moral do barroco. Oh caduca belleza! Oh falsa vaidade! Como te considero tão depressa arruinada! De que te serviu a vida estribada em um engano com alentos de uma respiração, se havias de morrer de um suspiro? Ah infeliz! … More Vanitas

Vita brevis

Glórias, que hão de ser de tão pouca dura, para que é possuí-las? Felicidades tão momentâneas, para que é estimá-las? Formosura, que tão depressa se afeia, para que é idolatrá-la? Vida, que tão brevemente se acaba, porque que é prezá-la? Nuno Marques Pereira Compêndio Narrativo do Peregrino da América (1939, I: 284-285) Nos dias 26 e … More Vita brevis

O conto da aranha

 Parou por breves segundos e teve uma iluminação, se é que uma aranha tem destas coisas que se abrem no espírito. Não quero mais uma ordem na vida e não posso viver no caos. Parei e olhei-a com mais atenção. Que raio, aranha, cala-te, cala-te, e enteia-te. Pareceu-me que sorria. Não sei bem como é que ela … More O conto da aranha

Francesco

  Tenho pensamentos que, se conseguisse realizá-los e torná-los vivos, acrescentariam uma nova luz às estrelas, uma nova beleza ao mundo e um maior amor ao coração dos homens. Livro do Desassossego. Parei ao lado e estendi a mão… e toda aquela luz e cor, como vidro soprado no forno, caiu no chão, multiplicada em bolas … More Francesco

Dois anos

Ouve o que diz a mulher vestida de sol quando caminha no cimo das árvores «a que distância deixaste o coração?» José Tolentino Mendonça, A que distância deixaste o coração Passaram dois anos. Tenho andado mais por veredas e caminhos sombrios que por largas avenidas luminosas, mas da sombra vem a luz e a criação, mesmo … More Dois anos