Respiro mais leve ainda

E, aqui dentro, o silêncio…E este espanto! e este medo!
(Olavo Bilac, In extremis)

Poema II

Caminho leve
respiro mais leve ainda

Toco as pedras antigas
o musgo molhado
as rosas de inverno

Sinto a chuva miúda
quase névoa, quase pranto,
correr as flores do limoeiro

Não há ruído, não há silêncio
e lá dentro, no pensamento,
só este espanto
só este medo.

Ana de Santa Cruz, Texturas, II

 

 

4 respostas a “Respiro mais leve ainda”

    1. Eu achava que tinha descontextualizado alguns planos… contudo o meu pai não teve dificuldade nenhuma em dizer onde tirei uma das fotografias mais difíceis de identificar. O meu pai gosta imenso de fotografia. E nós gostamos dele e de fotografia.

      1. Lembrou-me o Outono nas Caldas da Felgueira. Saudades, nostalgia. Lindo o poema e as fotos, um contexto só. Uma gota de orvalho Sara.

  1. Continua, Sara, sempre, esta tua estrada de prata, maravilhosa!

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