Etiqueta: Sara Augusto
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A delícia da vida

(…) E eu morrendo! E eu morrendo, Vendo-te, e vendo o sol, e vendo o céu, e vendo Tão bela palpitar nos teus olhos, querida, A delícia da vida! A delícia da vida! Olavo Bilac, In extremis (…) O que adoro em ti lastima-me e consola-me: O que eu adoro em ti é a vida!…
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Francesco

Tenho pensamentos que, se conseguisse realizá-los e torná-los vivos, acrescentariam uma nova luz às estrelas, uma nova beleza ao mundo e um maior amor ao coração dos homens. Livro do Desassossego. Parei ao lado e estendi a mão… e toda aquela luz e cor, como vidro soprado no forno, caiu no chão, multiplicada em bolas…
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Dois anos

Ouve o que diz a mulher vestida de sol quando caminha no cimo das árvores «a que distância deixaste o coração?» José Tolentino Mendonça, A que distância deixaste o coração Passaram dois anos. Tenho andado mais por veredas e caminhos sombrios que por largas avenidas luminosas, mas da sombra vem a luz e a criação, mesmo…
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Salamanca ou a Memória do Minotauro
E porque tudo nasce e lacera o teu corpo de embriaguez, e tudo é espanto e paisagens abertas – tu és a boca do sol. João Rasteiro, Salamanca ou a Memória do Minotauro, 2014. Escolhi este poema do livro porque foi aquele que o João já escolheu para uma das fotografias deste grupo, agora…
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Where is my silver road?

Esta é, discreto peregrino, a relação da minha história, em que fui dilatado, para vos mostrar a variedade, que o mundo faz com suas mudanças, o pouco prémio, que interessa, quem o segue, o como no melhor falta, como só o buscar a Deus é caminho seguro, estrada prateada sem perigos, vida, em que só…
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The question
*** Hamlet observa a Horácio que há mais cousas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia. Era a mesma explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo, numa sexta-feira de novembro de 1869, quando este ria dela, por ter ido na véspera consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia por outras palavras. Machado…
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Skyfall

Well, I like to do some things the old-fashioned way. (James Bond) Sometimes the old ways are best. (Eve) Skyfall, 2012. Fico muitas vezes quieta a ver o céu e o bailado das nuvens tocadas pelo sol do fim do dia. Únicas e infinitas, cavalinhos a correr pelo azul, tartarugas lentas, navios naufragados, ramas…
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Mirror, my mirror

*** Soprou e rompeu-se o fio. A partir de agora vou ser o caos, disse a aranha, castanha, quase ruiva, do tamanho de um botão. E o mundo dela mudou. Passei e vi como mudava. Acabou enrolada no caos, exausta, depois de horas exultantes de fios soltos ao vento. Fotografei o caos da aranha. Mirror, my mirror.
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Sunset flower

*** Para mim o insólito tem a ver com um processo mais ou menos nítido de desmarginalização. Esbater linhas que definem limites. Criar espaços ambíguos. E… sempre, criar novos sentidos.
