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Firework
Tenho medo do fogo. Tenho medo desde menina, quando os incêndios rodeavam a aldeia e os homens combatiam o fogo com o que tinham à mão. Ainda tenho esse medo miudinho. Há poucos dias fugi das chamas como o diabo da cruz e chorei descontroladamente, zangada comigo mesma por me sentir assim. Mas há fogos…
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Crónica de Feaglar
Matei os falsos sorrisos, silenciei as mentiras, vinguei as afrontas, as injustiças… Quando a minha inocência morreu, morreram aqueles que as destruíram. Pedro Ventura, O Regresso dos Deuses, p. 253 Já me encontrei com o Pedro Ventura há mais de um mês na Biblioteca Municipal de Viseu. Ele tinha na mão a reedição de Goor…
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O voo das andorinhas
A minha vida é tudo menos rotineira. Já me queixei quando o era, mas na verdade nunca o foi verdadeiramente. Pois é disso que hoje me queixo, de não ter rotina que me permita fazer render mais o meu tempo. Mas também é com isso que me alegro, com a possibilidade de viver sempre novas…
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Separador central

Passou uma semana, passaram duas, mais meia. Por quanto mais tempo aquele tapete cor de rosa ia ficar assim? De cores vivas, a prender-me os olhos naqueles 200 metros de fartura de cor ondulante? Domingo, talvez fossem dez horas e meia, lá estava eu. Os domingos costumam ser proveitosos… Às nove arrumara a máquina no…
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Emergir
Não fui eu quem escreveu tristinfinitamente. Luís Belo, emergir, medíocre, 2013, p. 12. Percorro lentamente as páginas a sépia e a preto e branco de emergir. Lembro-me muito bem da primeira vez que vi o Luís Belo e as suas fotografias de Viseu. Foi na Fnac, como resultado de sucesso num concurso fotográfico. Fui sabendo…
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A chave e os rios
Escritoras representativas da literatura brasileira no início do século XXI. Realização: CLEPUL, Mestrado em Estudos Brasileiros (FLUL-ICS) e Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa Apoio: Embaixada do Brasil 7 março Quinta-feira, Faculdade de Letras, sala 2.13, 17-20h. Sara Augusto, A chave e os rios: alegoria nos romances de Tatiana Salem Levy. Não…
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Dois rios
Tatiana Salem Levy, Dois Rios, Lisboa, Tinta da China, 2012. NOTA: a leitura dos romances de Tatiana Salem Levy tem sido uma descoberta constante. Não são fáceis de ler. O discurso de memória, de reflexão, a fragmentação narrativa, quase manipuladora, determinando o acesso às informações necessárias para a construção de um sentido válido, obrigam a…