May I cry?

*** Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Estavas dentro e eu fora te procurava. Precipitava-me eu disforme, sobre as coisas formosas que fizeste. Estavas comigo, contigo eu não estava. As criaturas retinham-me longe de ti, aquelas que não existiriam se não estivessem em ti. Chamaste e gritaste e rompeste … More May I cry?

Cidades estranhas

*** A cidade se embebe como uma esponja dessa onda que reflui das recordações e se dilata. Italo Calvino, As cidades invisíveis.   Continuo a escrita de viagens. A memória torna-se mais forte mas também mais apurada. Foi a segunda crónica publicada no Rua Direita. As cidades são estranhas. As cidades são estranhas. Nunca são iguais. … More Cidades estranhas

Inania verba

*** Quem o molde achará para a expressão de tudo? Ai! Quem há de dizer ânsias infinitas Do sonho? E o céu que foge à mão que se levanta? E a ira muda? E o asco mudo? E o desespero mudo? E as palavras de fé que nunca foram ditas? E as confissões de amor … More Inania verba

Simplicidade

*** A viagem é um exercício de simplicidade. (…) O que a torna complexa é a inevitável fusão do percurso físico com o labirinto das memórias e dos pensamentos. Rua Direita Esta é a primeira colaboração com a Rua Direita,  dirigida por Paulo Neto. Gostava muito que a viagem fosse o seu tema preferencial. Literatura de … More Simplicidade

Still

*** Há nestes dias, quando o frio faz teias entre o quarto e a sala e o cheiro das lareiras se estende pelas ruas, uma memória pungente da felicidade. Hesitei em escrever isto. Talvez devesse ter escrito “memória pungente dos momentos felizes”, mas isso é pouco. Talvez não nos sejam dados a viver muito e … More Still

Estrada de ouro

*** Passou um ano. Passou depressa e cheio. Nunca tive um ano que passasse devagar e tenho sempre a impressão que gasto a vida num instante. Muitas vezes pareceu-me estar tão gasta que já não queria publicar mais. Elaborar conteúdos, no campo da fotografia, do ensaio, da crónica e da poesia, com alguma regularidade, não … More Estrada de ouro

Shall I die?

*** Matei-me ao fim da tarde. Hoje, quando acordei da morte, a madrugada fria e húmida, senti uma leveza e uma falta de chão que me fez arrepender um tantinho daquele desespero suicida. Estou em crer, contudo, que não foi um ímpeto, que pensava no assunto há já algum tempo. A concretização foi impetuosa, isso … More Shall I die?