em dias de luz perfeita e exacta

Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta,

Em que as coisas têm toda a realidade que podem ter,

Pergunto a mim próprio devagar

Porque sequer atribuo eu

Beleza às coisas.

A. Caeiro

Continuo obsessiva, estado que já me conheço desde há muito, mas de que tomei conta com a fotografia. Também lhe chamo indecisa, mas acho que não é isso. É uma absoluta incapacidade de apagar qualquer traço de beleza que encontro.

A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe

Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão.

Não é agrado, não é só agrado. É uma alegria, um entusiasmo,  de descobrir outra dimensão oferecida pelas coisas, que pode vir das formas mais diversas. 

Que difícil ser próprio e não ver senão o visível!

Não, não. Somos cegos e desatentos a maior parte das vezes. A beleza é a singularidade visível, que vem da proximidade e da atenção e que me acrescenta.

© Sara Augusto, 2020 Grand Coloane, Macau

4 respostas a “em dias de luz perfeita e exacta”

  1. Avatar de FRANCISCO ANTONIO OLIVEIRA
    FRANCISCO ANTONIO OLIVEIRA

    excelente! são fotografias sublimes na sua afirmação compositiva, consistência e complementaridade cromática (azul celeste, verde orgânico)!!

    1. Obrigada, António. Seria mais fácil procurar consistência em 10 fotografias. Mas, e as outras, como deixá-las? 🙂

  2. Avatar de Helena Maria A. Rocha Gonçalves
    Helena Maria A. Rocha Gonçalves

    Isto é pura poesia! ❤️

    1. Sabia que ias gostar, querida Helena! Obrigada!

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