Que vales, riqueza? Vales uma alma? Não, que a condenas. Vales uma vida? Não, que a arriscas. Vales um sossego? Não, que o destróis. Vales um alívio? Não, que és peso. Vales um descanso? Não, que és cuidado. Vales uma respiração? Não, que és afogo. Arriscas a vida de quem te busca; condenas a alma de quem te guarda; destróis o sossego de quem te conserva; fazes do sono cuidado, do alívio carga, da respiração receio… e és tesouro? Adonde pois está o teu valor, que se o achou a estimação, eu não o descubro na realidade. Contigo poderá o homem comprar mais mundo; porém não poderá o homem comprar mais vida.
Soror Maria do Céu. Enganos do Bosque, Desenganos do Rio. 1741: 84-85.


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